Paulo Sérgio Vasco | 28/06/2016, 19h12 – ATUALIZADO EM 29/06/2016, 15h03
A criação de incentivos econômicos e de inovação tecnológica pode contribuir para ampliar a oferta de energia renovável e a geração de empregos, sobretudo para a parcela mais jovem da população, avalia o empresário americano Arthur Haubenstock. Vice-presidente para Assuntos Governamentais e Regulatórios da 8minutenergy Renewables, empresa que ocupa o terceiro lugar na produção de energia solar nos Estados Unidos, ele participou nesta terça-feira (28) de audiência pública na Comissão Mista Permanente sobre Mudanças Climáticas (CMMC).
O empresário falou também sobre a política energética do estado da Califórnia, que pretende aumentar a participação da energia solar até 2030.
— Os investidores estão entusiasmados, o público também, à medida que os custos caem. A energia solar está ganhando leilões. No Texas, está se tornando uma commodity, competindo com o gás natural e ganhando em preço. A energia solar está se tornando cada vez mais competitiva, os preços vão cair ainda mais, assim como o dos celulares e computadores — declarou Haubenstock.
Nova matriz
O empresário disse que a questão ambiental não influenciou diretamente a Califórnia na adoção da energia solar. Mas a crise energética que atingiu o estado norte-americano em 2001, gerando restrições no fornecimento de energia e de gás natural, fomentou investimentos no setor.
— Houve manipulação do mercado e apagões. A Califórnia dependia do gás natural. Decidiu-se que a melhor maneira era diversificar o fornecimento de energia e usar a energia eólica e solar, para aumentar a sua matriz energética, e para que ninguém conseguisse aumentar o preço da energia — afirmou.
De 2002 a 2008, informou, houve menos oferta de energia renovável implementada, mas a crise econômica possibilitou a oferta de benefícios econômicos para a geração de energia solar nos Estados Unidos. Em 2010, a capacidade instalada era pequena. Em 2016, o investimento expandiu-se em resposta às vantagens fiscais implementadas pelo governo.
— O importante é que os incentivos não tenham um prazo muito específico, porque isso atrapalha a evolução da indústria. Você tem um boom e depois uma parada brusca. Estamos escalonando esse processo, para interrompê-lo de forma gradual.
Mercado consumidor
A matriz solar responde por 6,1% da energia gerada no território norte-americano, disse Haubenstock. Ele considera que a adoção dos incentivos adequados e um mercado consumidor apropriado contribuirão para a expansão dessa matriz no Brasil, assim como nos EUA.
— Geramos muitos empregos, a mão de obra não muito qualificada foi treinada para trabalhar. As mudanças são rápidas. A combinação de incentivos econômicos criou ímpeto de consumo para a produção de células fotovoltaicas e outras tecnologias para a produção de energia renovável. Os investimentos em fabricação reduzem custos, os preços reduziram e vão reduzir ainda mais, desde que a demanda continue — afirmou.
Haubenstock disse ainda que a combinação entre hidroelétricas e usinas de energia solar ou eólica permite a utilização eficiente das redes já existentes.
— A energia solar, de dia, permite à hidro poupar água, quando necessário. Há empresas que combinam células fotovoltaicas com outras tecnologias. Todas as tecnologias podem trabalhar juntas. Usinas solares e eólicas são vantagem para centros rurais. Na Califórnia, inovações se uniram para criar uma rede mais sustentável, mais barata e mais verde.
Na Europa, avaliou, o desenvolvimento da energia solar foi ditado por razões geopolíticas, para reduzir a dependências do gás natural fornecido pela Rússia. O empresário ressalta que a China também aumentou a produção de células solares, e que os Estados Unidos tiveram a oportunidade de aproveitar o baixo custo desses equipamentos.
Brasil
Relator da comissão mista, o senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE) disse que o Brasil já iniciou esforços para adotar energias renováveis. Ele destacou o compromisso assumido pelo governo federal de ter, até 2030, pelo menos 23% da energia produzida no país proveniente dessas fontes.
Já a senadora Regina Sousa (PT-PI) disse não entender a demora do Brasil em investir na geração de energia solar.
— O investimento é alto, mas compensa. Não entendo por que o governo não investe nesses projetos em creches e escolas, para funcionar mais rápido — concluiu.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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