https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=2731494060407267&id=100006400987037
Estamos todos vivendo em isolamento social, eu diria distanciamento tátil reproduzindo as palavras do SiFu Ricardo Queiroz, em consequência da pandemia de um vírus potencialmente letal que não foi criado em laboratório. Entretanto, antes da pandemia de Covid-19 aconteceram alguns fatos marcantes em nossa história recente que afetaram sobremaneira o nosso ecossistema brasileiro. O primeiro foi o desmatamento, incentivado pelo governo Bolsonaro, em Agosto do ano passado, 2019, com destaque para “o dia do fogo” onde produtores rurais utilizaram grupos nas redes sociais para organizar várias queimadas em diversas áreas do interior do Pará. Assim como ocorreu também em outros estados e regiões do norte do país. Por exemplo, no Acre, com o aval do governador Gladson Cameli (PP), e em Rondônia. (https://oglobo.globo.com/sociedade/discurso-do-governo-impulsionou-queimadas-desmatamento-na-amazonia-aponta-estudo-24141728).
Quase que em paralelo a esse crime ambiental que acabei de descrever aconteceu também o derramamento de petróleo nos litorais, na costa e nos mangues do nordeste brasileiro. Esse derramamento de óleo foi tão imenso que estendeu até o sudeste. Foram mais de 3 mil quilômetros do nosso litoral atingidos por essa tragédia ambiental com impacto severo na economia pesqueira e de turismo em diversas regiões nordestinas. Uma vez que a pesca e o banho de mar foram proibidos por um determinado período de tempo. Na época o governo federal na representação do ministro do meio ambiente, Ricardo Salles, demorou um mês para se pronunciar oficialmente e não acionou o plano nacional de contingência de incidentes com óleo. “Segundo o Ibama, o petróleo cru foi extraído na Venezuela. No dia primeiro de novembro, a Polícia Federal iniciou uma operação e apontou um navio grego, o Boubolina, como possível fonte do vazamento. O navio Bouboulina e a empresa grega dona da embarcação foram citados na decisão judicial que autorizou o pedido de busca e apreensão em escritórios no Rio de Janeiro.” (https://www.wwf.org.br/informacoes/noticias_meio_ambiente_e_natureza/?73944/O-que-se-sabe-ate-agora-sobre-o-derramamento-de-oleo-no-Nordeste).
É importante relembrar esses dois importantes fatos ocorridos durante o governo Bolsonaro. Pois, fica evidente a total falta de apreço e dedicação do atual governo as questões de importância fundamental para o equilíbrio da vida em nossa sociedade. Uma vez que, nós também fazemos parte do ecossistema do planeta terra. Partindo desse princípio nós enquanto sociedade somos responsáveis em gerir e manter o esse equilíbrio. Senão, cada vez mais estaremos sujeitos aos desastres ambientais que potencialmente podem afetar de forma significativa a nossa sobrevivência. Isso me lembra um trecho de um artigo The problem of the chemicals in food do teórico libertário Murray Bookchin que descreve bem sobre o assunto que estamos debatendo:
“Dentro de poucos anos, o surgimento de pequenas doenças
já conhecidas e até doenças infecciosas desconhecidas, bem
como o aumento de doenças degenerativas e por fim a alta
incidência de câncer me faz pensar em uma conexão entre o
crescente uso de produtos químicos na alimentação e as
doenças humanas. (…) O motivo principal para o uso de
produtos químicos e as demandas impostas pelas terras
agrícolas são moldadas não pela necessidade do povo ou
pelos limites da natureza, mas pelas exigências de lucro
e competição. (…) Poderosos com o lucro em mente produziram
distúrbios ecológicos por toda área agrícola americana. Por
décadas, madeireiras e ferrovias tiveram permissão para
destruir terras florestais valiosas e vida selvagem.” (1952, p.
206-209-211).
(https://www.anarquista.net/wp-content/uploads/2018/08/Da-Ecologia-Social-a-Educacao-Ambiental-Murray-Bookchin.pdf)
É importante frisar que os escritos de Murray Bookchin são 1952. Porém, cabem como uma luva sobre os problemas os quais estamos vivemos atualmente, ou seja, ele viu o impacto que a destruição ambiental estava fazendo em seu país, EUA, e consequentemente a população norte-americana. No Brasil já vivemos ao longo de décadas os efeitos das negligências governamentais em relação aos cuidados com o meio ambiente e de forma direta e indiretamente os impactos dessas ações na saúde da população. A Petrobras tem tudo ver com essa grande discussão. Uma vez que ela é a empresa que detém uma grande responsabilidade com o meio ambiente ao extrair petróleo tanto em águas profundas e ultra-profundas em alto mar como nas áreas terrestres que tem importância estratégicas como em Urucu na Amazônia, ou seja, no coração da Amazônia. Infelizmente “a Petrobras lançou nesta sexta-feira (26/6) o teaser para venda de campos terrestres na Bacia de Solimões, no estado do Amazonas. Os ativos englobam os campos de Arara Azul, Araracanga, Leste do Urucu, Rio Urucu, Sudoeste Urucu, Cupiuba e Carapanaúba, além de infraestruturas de apoio operacional.” (https://www.agenciapetrobras.com.br/Materia/ExibirMateria?p_materia=982843). A notícia vem cheia de informações no mínimo falaciosas tanto afirmando que a entrada de novos players vai alavancar a economia da região, como se a nossa vida fosse um jogo de videogame, como dizendo que devido ao grau de endividamento da Petrobras a presença desses novos jogadores será bom porque a companhia poderá focar seus recursos e atividades em águas profundas e ultra-profundas. Essa afirmativa é também muito questionada em diversos espaços de discussão tanto nos sindicatos petroleiros quanto nas associações de classe de trabalhadores. Outra questão colocada no teaser, que literalmente é uma verdadeira provocação, é que a venda de Urucu não vai causar demissões na Petrobras. Mais uma grande mentira descarada, pois, a demissões já estão ocorrendo e de forma assediadora onde a pressão em cima de nós trabalhadores vem por meio de mudanças radicais na rotinas de trabalho, como a implantação do smart office, que de escritório esperto mesmo é só tem é a malandra economia para os patrões, que tende a reduzir o espaço físico e ampliar as mesas quentes que redefiniram totalmente a dinâmica de convívio social para nós trabalhadores, dificultando de forma direta as relações coletivas. Outros aspectos relevantes são as mudanças de localização geográfica de um estado para o outro onde a busca por vagas fica a critério e sorte de nós mesmos e a gestão de pessoas, o antigo RH, lava as suas mãos e continua a nos enxergar apenas como números. Essas mudanças afetam radicalmente a vida das famílias porque agregado a essa mudança vem as demais mudanças, ou seja, as mudanças de residência, escolas dos filhos, emprego das esposas ou esposos daqueles trabalhadores que impreterivelmente ficarem sujeitos a tais mudanças. Por fim, é colocado como opção plano de desligamento voluntário (PDV) que como já vem descrito no nome não contém nem o “i” de incentivo quando, pelo menos, os planos anteriores ainda continham um incentivo para os trabalhadores que optassem por um PIDV, levarem um montante relativo aos anos de sua contribuição e dedicação que em grande parte não condiz como o rela valor que tais trabalhadores realmente merecem. O plano em si já contradiz a afirmação anterior de que na Petrobras não haverá demissões.
A venda de Urucu representa não só um crime, mas um erro estratégico em relação ao que muitos outros países do mundo estão fazendo que é estatizar as empresas de energia que são fundamentais para o desenvolvimento de suas nações. Privatizar campos terrestres na Bacia de Solimões é privatizar também parte da Amazônia e entregar de bandeja um ecossistema que é parte do nosso patrimônio e patrimônio dos povos indígenas que ali habitam e coexistem em harmonia com essa riqueza natural onde boa parte dela é localizada em nosso País. Somente a luta por uma Petrobras sobre o controle dos trabalhadores e do povo brasileiro pode fazer com que a Petrobras seja uma alavanca para o desenvolvimento do nosso País e contribuir aos interesses da nossa população e não aos interesses de um pequeno grupo de políticos, empresários e especuladores que só visam os lucros em detrimento de nossas vidas nas bolsas de (anti)valores.
Abraço fraterno, Salud y ¡La Pachamama

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